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*BLOGANDO* Não se constroi o novo com o velho de novo. Eles representam o NUCLEAR, eles representam o MAL. Nosso Voto, Nossa Responsabilidade.
 

Sociedade do Faz de Conta.


Distantes a idade média, mergulhamos na idade mídia, e nem por isso alguma coisa mudou nesse aspecto, as consciências são compradas da mesma maneira e, para piorar, com aparatos de espetáculo público, que é o adequado aos tempos que correm. Estamos em pleno reinado da sociedade do espetáculo. Nada mais tem existência real se não for comprado e bem embalado por elementos espetaculares que ocupem espaço, se transformem em assunto do dia. Uma foto de artista famoso em atitude suspeita vale milhões e causa frisson no mundo. Na política daqui a pouco vão começar mais uma vez as convenções que se transformam em espetáculos ruidosos, bexigas de plástico colorido, tambores, música, luzes, câmeras, os candidatos de mãos dadas erguidas em gestos teatrais, como atores que buscam a emoção interessada – maus atores, é bem verdade, mas quem liga para isso? Já nos acostumamos com a canastrice dos políticos “interpretando” inocência diante da evidência de suas falcatruas. Fossem eles atores convincentes e seriam ainda mais desprezíveis e hilariantes, dado que a arte de representar é avessa à mentira, apesar da habilidade em transformá-la em verdade.
Mas o cerne dos autênticos bons espetáculos é de outra natureza, outra matéria prima, eterna, não perecível como os conteúdos políticos da política atual, felizmente. Bem que eles tentam imprimir um certo tom de alegria e positivismo aos seus pseudo-espetáculos, inutilmente, já que estão sempre rodeados pelo mesmo público, gente sem graça e sem entusiasmo por conhecerem o espetáculo de cor e de trás para frente. A imprensa costuma ser mais generosa com eles do que com os verdadeiros artistas, estampa suas caras e braços erguidos como marionetes, alheios ao mundo. Para mim são figuras tristes, porque deve ser triste depender de uma massa anônima e sem face para conduzi-los às cadeiras do poder que almejam. Suas vitórias não dependem deles, mas do poder de fogo (leia-se: dinheiro) e dos cabos que mobilizam para ganhar eleições. A sociedade do espetáculo não gera conquistas por mérito, é apenas um jogo de perdas e ganhos de improvável previsão. Compram consciências para se elegerem. Assisto-os com olhos lassos, penalizado com tanto esforço inútil por uma dignidade que não se mantém de pé por muito tempo. Lembra-se do espetáculo do crescimento anunciado com alarido pelo presidente da República? É alimentado todo dia por algum factóide presidencial – precisa do espetaculoso pra sobreviver na mídia. Como a mídia precisa disso pra atingir bons índices. As redações vibram com jogador de futebol em motel com travestis, assassinatos e pedofilia, estupros de menores, cantores sertanejos que não pagam pensão a ex-mulheres e
outros temas edificantes.
Nessa ciranda temos também padres espetaculosos tentando arrebanhar ovelhas para Deus através de músicas e danças idiotizantes que atinjam a emoção fácil das gentes – assim como certos pastores criam espetáculos de exorcismo de demônios mal ensaiados em vãos de igrejas improvisadas.
Só a cultura do espetáculo pode nos elevar a Deus, segundo seus arautos. Até os grandes desfalques e corrupções são vigiados por câmeras que garantem os espetáculos exibidos semanalmente nas TVs e isso sem falar em alguns publicitários que, não contentes em serem vendedores de produtos, bem remunerados por empresas que compram suas pobres ideias, aspiram o centro do palco e as luzes do espetáculo, vendem suas imagens pessoais através de lançamentos espetaculosos de livros, promovem festas em torno de si mesmos, estampam seus rostos em grandes outdoors que os anunciam como competentes e responsáveis etc...desejosos do status de celebridades, tema tão em voga. O pensador conservador, Fukuyama, garantia que “chegamos ao fim da história do homem”, mas desconfio que estava enganado, redesenha-se uma nova história através da espetaculização dos fatos mais banais numa tentativa de dar a eles uma importância que não têm. Os crimes bárbaros ficaram vulgares e banais, mas ajudam os pipoqueiros e baleiros a venderem melhor seus produtos nos aglomerados trágicos que se exibem e exibem slogans para as TVs.

Dia desses estava passando por uma rua onde havia uma multidão crescente, umas 100 pessoas se acotovelando para verem um acidente de moto com duas mortes. Excitação eletrizante no ar, corpos no asfalto, sangue, expectativa, curiosidade. Não pude deixar de pensar no pequeno público que costuma assistir espetáculos de qualidade. Esse tipo de espetáculo não interessa a quase ninguém mais, só aquele que gera histeria coletiva, medo, ódio, desejos dos baixios das bestas. A ideologia do imobilismo, característica do final do século XX, engendrou a cultura do espetáculo que assistimos perplexos nesse século XXI. E, extrema ironia, o espetáculo é muito ruim. Azar o nosso.
E você vive a realidade com todas as suas expressões ou um mundo fictício lhe posto e/ou imposto?
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